pensando a urbe: avlab córdoba setembro 2011

os encontros avlab córdoba seguem, e a 4a edição de 2011, mais uma vez coordenada e curada por daniel gonzález xavier, acontece nos dias 19 e 20 de setembro, no centro cultural españa local. desta vez, o evento propõe um tema que é resgatado periodicamente, sublinhando uma insistente necessidade de repensar as paisagens informacionais e urbanas frente as suas frenéticas modificações. a esta altura do campeonato, está claro que a urbe pode ser vista como uma composição de processos midiáticos que continuamente transformam os padrões da experiência cotidiana. celulares e ferramentas online guiam nós humanos (termo que em português resulta ser um pouco ambíguo, mas que por vezes prefiro usar ao invés de usuários) ao seus destinos, simultaneamente mapeando seus movimentos por entre ruas e lugares de interesse, conectando milhares de pessoas em uma grande rede narrativa própria de uma cultura virtual de intercâmbios (fato que possibilita alguns autores identificarem nas redes contemporâneas um revival da cultura oral). câmeras por todas as partes, queira registrando momentos particulares, queira servindo como mecanismos de controle. o som de carros, aviões, helicópteros, publicidade indiscriminada. inúmeros canais de comunicação em rádio-frequência. todos são exemplos de diferentes mas inter-relacionadas camadas de informação que podem ser tomadas como plataformas para análise, interpretação e representação de paisagens urbanas e seus complexos vetores.

com rápidas transformações nas tecnologias móveis e de simulação, é interessante trazer este tipo de debate novamente a tona, não somente como mais um intento em compreender este ritmo esquizofrênico das ‘inovações’, mas bem como colaborar na identificação do seu impacto nos mais distintos contextos culturais, considerando as consequências de uma crescente cultura material obsoleta.

este avlab tenta levantar este tipo de discussão aportando à opinião de diferentes mas de alguma forma inter-textuais perspectivas de alguns artistas e pesquisadores.

bineural-monokultur (christina ruf e ariel dávila) partilhará de seus experimentos com os audio tours, um projeto que propõe um teatro sem atores, no qual a cidade é o palco para narrativas mediadas por interfaces sonoras.

as educadoras e pesquisadoras em ciências da informação, yamila ferreyrra e valerya sbuelz, propõem uma discussão em torno de possíveis cartografias de corpos, sinergias e contrastes entre diferentes territorialidades urbanas no contexto de córdoba. sua oficina será baseada na criação de possíveis estratégias de mapeamento de tais circunstâncias.

minha participação no encontro propõe a projeção de imagens como interface visual para possíveis détournements: a imagem técnica em movimento e em tempo real adequada ao espaço, sobreposta, gerando camadas de subjetividade virtualizada sobre paisagens urbanas. haverá uma oficina curta para apresentar aos participantes uma idéia básica da assim apelidada projeção mapeada (oficina esta com base em encontros anteriores) utilizando da ferramenta livre vpt. a oficina ocorre no dia 20 de setembro, das 10am as 12:30pm.

depois das oficinas, a partir das 2:00ps, será proposto um laboratório de curta duração, no qual os participantes das oficinas serão convidados a desenvolver intervenções no espaço do centro cultural e seus arredores, que ocorrerão na noite que encerra o avlab.

para programação e inscrição, por favor consulte o site dedicado ao evento do centro cultural españa.

o evento será transmitido ao vivo via streaming pelo cce.

espero ver-los por lá!

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imagem em tempo real com puredata

procesamiento de imágenes en tiempo real con puredata

de 25 a 28 de agosto, estarei no la cúpula media lab, em córdoba, argentina, para mais uma oficina. desta vez estaremos usando puredata como ferramenta para gerar imagens em tempo real, técnica que pode ser aplicada em experimentos transmídia em diversos campos, como teatro, cinema, performance, dança, vjing e outros. o programa da oficina está descrito abaixo:

dia 1

> discussão sobre a plataforma: o que é puredata e o que pode fazer?

> instalação do pd e bibliotecas (um passo-a-passo em mac os e linux);

> introdução à metáfora de patches /  programação não-linear ;

> introdução à GEM/openGL;

> exercício 1: carregando e exibindo um vídeo no GEM;

dia 2

> exercício 2: criando um mixer de vídeo com puredata;

> exercício 3: filtros de imagem em tempo real;

dia 3 e 4

> exercício 4: openCV – visão computacional e puredata – reconhecimento de padrões visuais;

> exercício 5: como usar arduino e puredata na geração e manipulação de imagens;

vagas para 15 pessoas . inscrições no site do la cúpula.

para adiantar algumas das possibilidades que discutiremos durante a oficina, abaixo segue um vídeo de uma peça de teatro na qual trabalhei com ricardo palmieri, gabriel camelo e o grupo de teatro les commediens tropicales. o cenário multimídia foi feito com uma combinação de puredata e vpt (programado pelo palm), que gerenciavam as projeções e o som. espero vê-los em córdoba!

 

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apresentação do processo de residência demolición/ construcción

presentación del proyecto loci - demolición/construcción

que significa historiar hoje? como os mecanismos de armazenamento e transmissão de informação modificam a maneira como a memória humana opera? essas são algumas das questões que o projeto loci tenta abordar.

o nome vem do substantivo plural do termo latim locus, que encontra significado em um extenso conjunto de conceitos, tais como lugar, situação, estado. o projeto foi apresentado no sábado dia 16 de julho, no espaço de memória la perla, como parte da residência demolición/construcción. ainda em estágio de desenvolvimento, a aplicação web foi apresentada como protótipo, para que fosse sujeita a discussão em conjunto com os demais artistas e estudiosos participantes.

basicamente, meu aporte ao assunto da residência não considera o que vou aqui denominar como ‘aspectos mais icônicos’, ou seja, toda a imagem aparente que se pode associar ao contexto da ditadura militar argentina – que na prática durou pelo menos 20 anos. em troca, adotei uma concepção de giorgio agamben acerca da impossibilidade de conceber o inumano. preferi assim abordar o que considero problemas mais amplos, que residem nas intersecções entre memória, arte e política. esta concepção gradualmente tomou forma durante minhas leituras de o que resta de auschwitz, de agamben, e cultura_RAM, de jose luis brea. baseado na idéia de testimônio como “uma relação entre o dizível e o indizível” e de arquivo como “um sistema de relações entre o dito e o não dito” (AGAMBEN, 199: p. 45), a questão das dimensões de memória na contemporaneidade me pareceu bastante digna para a temática da residência.

propus assim uma meta-mídia que referencia algumas características de modelos computacionais e humanos de arquivamento e resgate de informação. como lembra luis brea, depois dos meios eletrônicos e digitais, a memória humana passa a adaptar-se a uma complexa realidade imposta pela paisagem midiática, em uma corrente transformação de um mecanismo que recuperação para um canal de julgamento de experiências recentes e simultâneas. neste sentido, o aspecto moralizante da memória – a iconização do passado – tem decaído em favor de necessidades mais urgentes, como a preterização do futuro e um entendimento construído em rede de padrões informacionais instantâneos e em constante metamorfose. assim, luis brea relaciona as ‘obsoletas’ formas de história com a memória computacional de tipo ROM (Read Only Memory), e discursa sobre um panorama mais recente que pode ser metaforizado como uma memoria de tipo RAM (Random Access Memory), ao afirmar que a noção de verdade histórica como produto da sua materialidade – é dizer, formas arquiváveis de cultura – ou de sua provabilidade – o testimônio de grupos específicos – está dando lugar a uma rede sistemática de processos inter-projetivos, dos quais emergem perspectivas antes marginalizadas pela história institucionalizada, que interagem entre si e propõem alternativas multi-discursivas do que é status quo. neste sentido, se algo é verdadeiro ou não, pouco importa: desde que este algo tenha poder afetivo e capacidade de transitar por diferentes redes, então é digno, não importando a natureza de seu discurso.

loci

loci sugere uma desterritorialização de formas objetivadas de história: arquivos de diferentes formatos digitalizados de mídia (rádio, televisão, jornais, livros, et cetera) são processados por um software que opera em três níveis. o primeiro é matemático, um contínuo fluxo de texturas de dados que são resultados instantâneos de cálculos algorítmicos, justapondo e sobrepondo diferentes camadas e tipos de mídia; o segundo é linguístico, o qual relaciona os meta-dados associados a toda informação presente no banco (como datas, nomes, palavras relacionadas), reconfigurando a rede semântica no seu nível textual e interferindo diretamente no que é “lembrado”, ou seja, no que emerge como interface; o que caracteriza o terceiro nível de operação, o perceptivo: imagens, textos e sons fragmentados, um contínuo devir de descontinuidades. Uma meta-forma.

o banco de dados para a versão 1.0 de loci contém exemplos de informação que corria pelos meios de massa da argentina dos anos 70 e 80, período profundamente marcado pela repressão sistemática do governo militar na comunicação em geral. grande parte deste material foi obtida durante pesquisa no archivo provincial de la memoria de córdoba, no cispren e no archivo del servicio de radio y televisión de la universidad nacional de córdoba. tive também a ajuda de amigos que colaboraram com referências culturais populares da época. um pouco de youtube também não caiu mal :)

esse banco de dados não é de forma alguma permanente ou único. loci não será caracterizado pela informação que gerencia, mas pela própria in-formação como uma metáfora sistemática de processos de memória contemporâneos. isso significa que, em versões futuras, loci terá a capacidade de carregar diferentes bancos de dados e integra-los a outros disponíveis na rede.

mapa mental loci

em outras palavras, loci é proposto como uma proto-memória, uma máquina de recordar que, em seu curso, gera ficções e contra-fatos (ou hiper-fatos, como gostaria de denominar) ao salvar suas “memórias” distorcidas pelo processo como novos “fatos” no banco. não obstante, loci busca por informações presentes em bancos abertos na web por intermédio de APIs (Application Programming Interfaces) de serviços como flickr ou twitter, estendendo seu espectro histórico e semântico a outros limites, talvez a lugares próximos do que wittgenstein definiu como barreiras de linguagem.

a aplicação estará disponível na web assim que a versão 1.0 esteja pronta, o que deve acontecer nas próximas semanas. seu lançamento será anunciado neste blog. o desenvolvimento está sendo realizado em processing, e o código-fonte da aplicação estará disponível na mesma página.

mais detalhes quanto ao processo de desenvolvimento serão revelados logo. é também de minha intenção publicar aqui um texto que suporta conceitualmente algumas das questões tratadas pelo projeto (conforme anunciei a um par de semanas atrás).

a apresentação do projeto foi muito construtiva precisamente pelo retorno obtido dos outros artistas e pensadores presentes, e gostaria de deixar um grande obrigado a todos por isso. um agradecimento especial vai para lina lopes – quem eu também gostaria de agradecer pela maioria das fotos da apresentação -, gabriela halacgraciela de oliveiraeugenia almeida pelo seu interesse e contribuição aos assuntos do projeto. e obrigado também a ángel poyónfhernando poyónedgar calel pelos excelentes intercâmbios de idéias que tivemos durante nosso tempo de estadia na fundación pluja, a qual gostaria de agradecer pela hospitalidade.

gostaria também de agradecer ao espacio de memoria la perla, ao cispren, ao archivo provincial de la memoria de córdoba e a universidad nacional de córdoba pelo seu apoio à pesquisa.

e claro, um enorme agradecimento a graciela de oliveira e a soledad sanchez pela predisposição em organizar a residência phronesis criolla.

aqui estão imagens e um vídeo do dia da apresentação de loci. fiquem ligados no blog para os próximos passos do projeto.

 

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3o avlab córdoba 2011: como foi

3o encuentro avlab córdoba 2011

aqui estão algumas imagens do 3o encontro avlab córdoba 2011, que ocorreu no centro cultural españa local. este encontro propôs instalações para crianças, de forma que pudessem utilizar de exemplos do que se costuma denominar “novos meios” como plataformas de criatividade. estive presente com um protótipo do projeto aberto tagtool, possibilitando que os pequenos pudessem desenhar no espaço do auditório com projeção. muito obrigado a daniel gonzález xavier pelo convite; a laura colombo, o-bri, fede gaumet e julio catalano pela troca de idéias e referências; e a lina lopes por registrar o evento.

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3o encontro avlab córdoba

3o encuentro avlab córdoba

na terça-feira, 12 de julho, das 16 as 19 horas, participarei do 3o encontro avlab córdoba 2011, no centro cultural españa. a temática deste encontro propõe instalações lúdicas e multimídias para crianças e “jovens adultos”. estarei presente no evento com um protótipo baseado no projeto tagtool, dispositivo open hardware/software. quem estiver por córdoba neste dia, passe pelo CCEC e brinquemos com graffiti virtual na arquitetura do espaço. tragam seus pirralhos!

abaixo um vídeo sobre o projeto tagtool. nos vemos por lá!

um agradecimiento especial a daniel gonzález xavier pela oportunidade.

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